Aproveitando a deixa do último post, a coluna “O que é ser(…)?” desta semana traz um goleiro como personagem principal.
Trata-se de Farley Miranda, 40 anos, responsável por impedir os gols na meta do time de pais do Colégio São Miguel Arcanjo.
Farley conta que sempre foi goleiro, desde criança. Costumava jogar na linha também, mas mandava bem mesmo agarrando, inclusive contra adultos.
Ele garante, no entanto, que virou goleiro por vontade própria. Não foi obrigado pelos amigos, tampouco seguiu aquele velho ditado do “é ruim, vai pro gol”.
Tanto que Farley é um dos goleiros menos vazados desta 9ª Copa Intercolegial Mercantil do Brasil. Levou apenas um gol em dois jogos.
Mas, como todo bom goleiro, Farley (que não é o Harley, do Goiás) tem um frango para contar.
“Cruzaram uma bola na área. O atacante cabeceou devagarzinho. Eu, todo confiante, abaixei para fazer a defesa, mas a bola passou debaixo das minhas pernas e entrou. Tive que agüentar os amigos pegando no meu pé por muito tempo”, revela o goleirão.
Farley afirma que, no dia do frangaço, havia salvado o time o jogo inteiro. Só falhou nesse único lance. Porém, o erro ficou marcado. O que o leva a pensar que sua posição é uma das mais ingratas do futebol:
“Na hora do gol, ninguém comemora com o goleiro. Quando o time deixa o campo, o goleiro é o último a sair. Se o time perde, a culpa é do goleiro. Ao fazer uma grande defesa, só o goleiro vibra. É a posição mais solitária dentro do campo”.
Sozinho, sempre culpado e, quase sempre, o bode expiatório do time, Farley assegura que gosta, e muito, da sua posição.
Ele só faz questão de ressaltar que o apoio dos companheiros e da torcida é de suma importância para deixar o goleiro sempre motivado e menos isolado dentro das quatro linhas.
Por isso, ao ver uma defesa do Farley ou de qualquer outro goleiro na Copa MB, não hesite em gritar: “boa, goleirão!”




